Guia Identidade Gastronômica Paulistana
Trabalho voluntário para
Prefeitura da Cidade de São Paulo
Observatório Gastronômico da Cidade de São Paulo
Universidade Anhembi Morumbi
Em 2024, recebi uma proposta e um desafio da Universidade Anhembi Morumbi, em parceria com a Prefeitura Municipal de São Paulo e o Observatório de Gastronomia da Cidade de São Paulo — duas instituições públicas de grande prestígio no Brasil — para criar o Guia de Identidade Gastronômica Paulistana. O Guia tem como objetivo mapear e destacar os restaurantes mais icônicos e tradicionais da cidade de São Paulo, tornando-os acessíveis ao público em geral e aos estudantes da Universidade Anhembi Morumbi.
Este guia foi desenvolvido em colaboração com alunos do Bacharelado em Gastronomia, do Curso Técnico em Gastronomia e do programa Le Cordon Bleu da Universidade Anhembi Morumbi, bem como com a Secretaria de Comunicação, Turismo e Hospitalidade da Prefeitura de São Paulo.
Ano
2024
Painel de inspiração
Primeiramente, permita-me apresentar o conceito visual inicial do projeto:
Uma versão incompleta, criada por alunos de semestres anteriores dos cursos de Gastronomia, circulava desde 2023. No entanto, fui incumbido de recriar a identidade visual de uma forma mais moderna e minimalista.

Comecei por realizar uma pesquisa visual e reunir referências de locais e culturas locais, depois criei um painel de inspiração usando IA para otimizar meu processo criativo.
Cores
A seleção de cores foi claramente guiada pelo mood board. Para cada região da cidade, escolhi uma cor que representasse a influência predominante, com base nas bandeiras dos povos que outrora ocuparam aquela área. Um exemplo é a predominância das comunidades portuguesa e italiana no bairro da Bixiga, que resultou na cor verde. No Centro Novo, onde há forte presença de povos africanos (como os de Angola e Moçambique), bem como das populações espanhola e alemã, a cor escolhida foi o amarelo. Na Liberdade, com sua significativa influência cultural asiática, a cor predominante da bandeira é o vermelho. Para o Centro Histórico, optei por transmitir a seriedade e a imensa força de trabalho que ali prosperaram, servindo de refúgio para todas as culturas atraídas pelo trabalho e sendo o berço da primeira linha ferroviária de São Paulo — a Linha Azul 1.

Mapas
De longe, a criação e adaptação dos mapas foi o meu maior desafio. Pediram-me para não usar nenhum tipo de mapa digital no desenvolvimento do guia, mas ainda assim era necessário fornecer a localização de cada endereço. Eu poderia ter escolhido o caminho mais fácil — mas o caminho mais fácil nem sempre é o melhor em termos de acessibilidade. Optei por CRIAR os mapas usando referências visuais no Illustrator. Para isso, busquei imagens e vetorizei ruas e caminhos reais em toda a região central da cidade de São Paulo para usar no guia. O resultado ficou excelente — mas deu um trabalho enorme.
Ícones
Para melhorar ainda mais a acessibilidade e fazer com que o guia realmente pareça um guia, criei ícones representando cada estabelecimento. Como mencionado anteriormente, essa ideia surgiu da versão inicial do guia para estudantes, de 2023, que utilizava ícones semelhantes para fins de identificação — juntamente com a iconografia dos marcos históricos da cidade. No entanto, essa iconografia dos marcos históricos acabou sendo removida devido à falta de representação de marcos arquitetônicos em certos bairros.
Cada ícone representa um tipo de estabelecimento e o tipo de culinária servida. Esses ícones podem ser vistos ao lado do cabeçalho em todas as páginas ímpares, acompanhados da cor predominante da região para facilitar a consulta e a navegação.

A maioria dos ícones foi criada por mim usando o Adobe Illustrator, enquanto os ícones da Cantina e do Restaurante foram obtidos gratuitamente online pelos alunos que trabalharam na versão inicial do projeto.
Responsabilidades
Como mencionado anteriormente, enquanto os alunos de Gastronomia se concentravam em pesquisa, fotografia, entrevistas em restaurantes e redação de resenhas e conteúdo, meu trabalho foi inteiramente dedicado aos aspectos gráficos e digitais do projeto. Também coordenei com o Observatório de Gastronomia para alinhar prazos e materiais necessários. Além disso, gerenciei a organização dos arquivos junto com a professora Sênia, onde avaliamos as imagens dos alunos e decidimos quais precisavam ser fotografadas novamente e quais poderiam ser obtidas da internet.
Os jornalistas Guta Chaves e Miguel Guedes foram responsáveis por avaliar e revisar os textos escritos pelos alunos, os quais foram posteriormente formatados por mim no guia.
Resultados
Como resultado, após a publicação e divulgação do material, o turismo gastronômico no centro de São Paulo cresceu 81,2% em 2025. O guia já foi baixado mais de 1 milhão de vezes e atualmente possui uma sequência (Volume 2), que segue meu layout original com cores modificadas.
Ainda em 2025, o diretor do Instituto Le Cordon Bleu, Patrick Martin, compartilhou o guia com o proprietário do Instituto Le Cordon Bleu, André Cointreau, bem como com o então governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Em 2026, o governador Freitas lançou uma campanha de expansão turística com o objetivo de restaurar o esplendor do centro de São Paulo e promover o turismo.
Além disso, conseguimos salvar dois restaurantes da falência. O guia está sendo traduzido para chinês e inglês para ser divulgado aos turistas que visitam a cidade. Ademais, diversos restaurantes mencionados no guia receberam suas primeiras estrelas Michelin e recomendações Bib Gourmand.



